A anarquia é a ideia revolucionária de que ninguém é mais qualificado do que você para decidir como sua vida deve ser.

Significa tentar descobrir como trabalhar em conjunto para satisfazer necessidades individuais, como trabalhar com os outros ao invés de para ou contra os outros. E, quando isso é impossível, significa preferir o conflito à submissão e à dominação.

Significa não valorizar nenhum sistema ou ideologia acima das pessoas que se ambiciona servir, não valorizar nada teórico acima das coisas reais desse mundo. Significa ser fiel a verdadeiros seres humanos (e animais), lutar por nós mesmos e uns pelos outros, não por “responsabilidade”, nem por “causas” ou outros conceitos abstratos.

Significa não forçar seus desejos em uma ordem hierárquica, mas aceitar e acolher todos eles, aceitando a si mesmo. Significa não se curvar a nenhuma lei externa, não restringir as emoções ao previsível e ao prático, não esconder os instintos e os desejos em uma caixa: pois não há jaula grande o suficiente para acomodar a alma humana.

Significa recusar-se a pôr a responsabilidade pela própria sobrevivência nas mãos de outras pessoas, sejam elas seus pais, seus amantes, seus empregadores ou a sociedade como um todo. Significa pôr a busca pelo significado e pela alegria em sua vida em seus próprios ombros.

O que mais deveríamos perseguir, além da felicidade? Se algo não é valioso por acharmos significativo e prazeroso, o que mais faria com que fosse? De que forma abstrações como “responsabilidade”, “ordem” ou “propriedade” podem ser mais importantes do que as necessidades dos que as inventaram? Devemos servir patrões, o Estado, Deus, o capitalismo, moralidades e sociedades antes de nós mesmos? Quem lhe ensinou isso, afinal de contas?