Para que a “reunião para salvar o mundo” aconteça essa semana em Copenhague, mais de 40.000 toneladas de dióxido de carbono serão emitidas na atmosfera (mais ou menos a mesma quantidade emitida por uma cidade pequena). Os poluentes serão lançados pelos escapamentos das limusines e pelos motores dos jatos privados que carregam as chamadas “VIP”. São tantos jatinhos que o aeroporto de Copenhague não é capaz de acomodá-los, o que força os pilotos a largarem os passageiros na Dinamarca e a voarem à Suécia para “estacionar”. Cada hotel de luxo na cidade estará lotado e irá oferecer a seus ilustríssimos hóspedes alimentos sustentáveis como foie gras, caviar e filé. Hospédes que depois irão se reunir para discutir excessos.

Copenhague irá funcionar como um perfeito microcosmo: para cada ativista subsistindo de tofu e vivendo fora da jaula, haverá inúmeras pessoas que, de alguma forma, consideram-se acima ou além do problema. Pessoas que não são capazes de ver a ironia de se atravessar o mundo em um jato particular para discutir a questão das emissões de carbono. Até que a elite mundial não pare de ver dois planetas – aquele que precisa ser salvo e aquele no qual ela vive – 40.000 toneladas de poluição é a única coisa que esse tipo de reunião pode produzir.

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