Um estudo muito interessante está sendo feito nos Estados Unidos. A autora e pesquisadora Melanie Joy afirma, em seu livro Why we love dogs, eat pigs and wear cows (Por que nós amamos cães, comemos porcos e vestimos vacas), que o hábito humano de se comer carne é tão ideológico quanto o hábito de não comer. Ambos são crenças, não comportamentos naturais, e devem ser tratados como tal. A autora inclusive se refere aos primeiros como “carnistas”, em oposição aos segundos, os vegetarianos.
O carnismo é um sistema de crenças que diz ser certo comer alguns animais e errado comer outros. Por exemplo: vacas, porcos e frangos, pode; cães, gatos e cavalos, não pode. Se você for perguntar a um carnista os motivos dessa separação ele não saberá explicar. Dirá apenas que comer carne de cachorro é “estranho”. Isso quando não desbancar para a teologia supersticiosa e afirmar que cachorros têm sentimentos, mas vacas não.
A primeira reação a uma carne “nova” é sempre de estranhamento. Um carnista reagiria com repulsa ao pensar em comer um papagaio, por exemplo. Essa não é uma atitude particularmente carnívora, diga-se de passagem. O que torna aceitável o consumo de carne de frango (e de todas as outras mais comuns) é uma sensação de normalidade, nada mais. E o que torna aceitável o consumo de carne como um todo é uma falsa sensação de necessidade, impulsionada por apetites “exigentes”.
Vegetarianos e carnistas estão muito mais próximos do que imaginam em termos de hábitos alimentares. Enquanto os primeiros consomem 0,00% dos tipos de carnes disponíveis no planeta, os segundos consomem, se tanto, 0,01%. Os primeiros se põe de fora de uma “cadeia alimentar” arbitrária, os segundos constroem uma toda particular. Mas a diferença é que os primeiros admitem seguir uma crença, e o fazem por conta própria, enquanto os segundos, moldados pelos hábitos dos que vieram antes deles, ainda acham estar seguindo os passos da natureza.


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